Lagarta
do Pinheiro (Lagartas Processionárias) nos Parques de Lisboa
Os parques
de Lisboa e outras áreas florestais, um pouco por todo o país,
onde existem espécies de pinheiros e cedros, têm sido este
ano muito atacadas pela praga “lagarta do pinheiro”.
A lagarta do pinheiro, vulgarmente apelidada de lagarta Processionária
-com o nome científico de Thaumetopoea pityocampa - é um
insecto desfolhador dos pinheiros e cedros. Como tal, leva a um enfraquecimento
da árvore e, consoante o grau de ataque, poderá causar-lhe
a morte.
A
processionária do pinheiro, além de provocar estes danos
nas árvores, pode também originar graves problemas de saúde
pública. Devido à característica urticante dos seus
pêlos provoca alergias na pele, no globo ocular e no aparelho respiratório
no Homem e pode originar o mesmo em animais domésticos.
Aconselhamos
todos – especialmente crianças – sempre que virem lagartas
semelhantes às mostradas nestas fotografias, nas árvores
ou no solo, a não lhes tocarem.
Este ano,
tivemos ocorrências de lagartas do pinheiro nos Parques de Lisboa,
nomedamente, no Parque Florestal de Monsanto, junto ao parque de estacionamento
do Clube de Ténis no Alvito, e no Parque da Quinta das Conchas,
no Lumiar.
Como forma
de prevenção e de controlo do desenvolvimento desta praga,
a Câmara Municipal de Lisboa, através da Divisão de
Matas, está a proceder a tratamentos preventivos e curativos, com
a utilização de métodos microbiológicos, biotécnicos
e mecânicos. Com estas medidas espera-se uma diminuição
dos danos provocados pelas lagartas de Processionária e um controlo
da disseminação desta praga.
O grau de
desenvolvimento das lagartas está directamente relacionado com
as condições climatéricas existentes. Como este ano
temos tido um Inverno seco e de céu descoberto, que acelerou o
ciclo de desenvolvimento das lagartas, em Dezembro já tinhamos
muitas lagartas no solo, quando isso só costuma acontecer no fim
do Inverno (meados de Fevereiro).
DOSSIER
SOBRE A PROCESSIONÁRIA
O
que é a Processionária ?
Ao
longo dos últimos anos tem-se verificado um aumento significativo
da intensidade dos ataques da processionária.
A lagarta do pinheiro, vulgarmente apelidadas de lagartas Processionárias
- com o nome científico Thaumetopoea pityocampa - é um insecto
desfolhador dos pinheiros e cedros. Como tal, leva a um enfraquecimento
da árvore e consoante o grau de ataque poderá causar-lhe
a morte.
A processionária
do pinheiro, além de provocar estes danos nas árvores, pode
também originar graves problemas de saúde pública.
Devido à característica urticante dos seus pêlos provoca
alergias na pele, no globo ocular e no aparelho respiratório no
Homem e pode originar o mesmo em animais domésticos.
Os ataques
variam de intensidade de acordo com os níveis populacionais das
lagartas, que são fortemente influenciados pelas condições
climáticas.
O Ciclo Biológico da Processionária
O
ciclo biológico da processionária completa-se, geralmente,
num ano, distinguindo-se duas fases: uma aérea na copa dos pinheiros
e outra subterrânea, no solo.

Como todos os insectos, o desenvolvimento da lagarta passa por diferentes
estádios. As lagartas de processionária passam por cinco
estádios, e é a partir do 3º estádio que se
tornam perigosas para a saúde pública.
Lagartas
nos 1º e 2º estádios de crescimento
Normalmente ocorre no período do Outono (meados de Setembro/finais
de Outubro).
As lagartas
jovens vivem em ninhos provisórios, que vão sendo abandonados
até à formação de um ninho definitivo (ninho
de Inverno), onde aí vivem em colónia e se protegem das
baixas temperaturas.
Neste estádio, os tratamentos químicos são bastante
eficazes. Normalmente, são usados dois grupos de produtos, sendo
estes de baixa toxicidade e inócuos para o ambiente, são
estes:
- Diflubenzurão-
São inibidores do crescimento, sendo o mais usado o Dimilin;
- Insecticidas
microbiológicos- à base de Bacillus thurigiensis;
Lagartas
nos 3º ao 5º estádio
Normalmente ocorre no período de Inverno.
As lagartas
neste estádio estão em crescimento activo, constrõem
os ninhos de Inverno -tendo um aspecto de novelo de seda - e mantêm
os hábitos de alimentação nocturna, permanecendo
no ninho durante o dia (este funciona como acumulador térmico).

É nestes estádios que surgem os pêlos urticantes.
O seu tratamento é mais difícil, uma vez que nesta fase
a lagarta já revestiu o seu corpo de quitina (endurecimento) e
os tratamentos químicos já não vão actuar
tão eficazmente, sendo necessário, como meio de combate
a destruição mecânica dos ninhos (retirada mecânica
do ninho - após a retirada, o ninho deve ser queimado).


Lagartas
no 5º Estádio
Ocorre entre meados de Fevereiro a fins de Maio.
Após
atingirem o seu grau de desenvolvimento máximo, as lagartas abandonam
os ninhos e em procissão descem das árvores para se enterrarem
no solo a uma profundidade de 15-20 cm, para passar à fase seguinte
– De pupa ou crisálida – e evoluirem para insecto adulto
(borboleta) que emerge no Verão, completando assim o seu ciclo
anual.


Nesta fase,
a destruição mecânica das lagartas é o método
não só mais eficaz, como o único que se pode fazer.
Assim:
- Pode
colocar-se umas cintas de papel ou plástico embebido nas duas
faces com cola inodora à base de poli-isolbutadieno, à
volta da árvore (de forma a que as lagartas ao descerem do tronco
fiquem aí coladas);
- No solo,
juntá-las com auxílio de um utensílio com cuidado
para que não se “levantem” os pêlos urticantes
e queimá-las ou esmagá-las de seguida;
- Deve-se
cavar o solo, se se conseguir identificar os locais de enterramento,
de modo a expôr as pupas já formadas (ou até mesmo
as lagartas que ainda não se formaram).
Fase de Borboleta
A partir do momento em que a pupa passa a borboleta, o meio de combate
mais usual passa pela colocação de armadilhas iscadas com
feromonas sexuais, nos pinheiros para a captura dos machos (será
uma armadilha por hectare).
Pode-se ainda fazer o tratamento da árvore por microinjecção
(a efectuar no mês de Julho) com princípios nutritivos de
forma a incrementar a vitalidade e a capacidade de resposta defensiva
da árvore tratada.
Conclusões
É
importante voltar a salientar que o grau de desenvolvimento das lagartas
está directamente relacionado com as condições climatéricas
existentes e que se pode verificar um acelaramento/retardamento dos estádios
se as condições forem favoráveis ou desfavoráveis.
As lagartas
iniciam as procissões após atingirem o nº de graus-dia
necessário.
Este ano,
temos o exemplo do Inverno seco e de céu descoberto, que acelerou
o ciclo de desenvolvimento das lagartas, e, em Dezembro, já tinhamos
muitas lagartas no solo, prontas a enterrarem-se, quando, na realidade,
tal só deveria acontecer no fim do Inverno (meados de Fevereiro).
|